Marcadores:

De 'Lula Molusco' ao ostracismo em Brasília: Acosta tenta se reerguer



Este ano, os argentinos são a bola da vez. Conca, Montillo e D'Alessandro disputam com Neymar o status de melhor jogador do Brasileirão 2010. Em 2009, o sérvio Petkovic foi ‘o cara’ no título brasileiro do Flamengo. Ganhou um funk em homenagem, recebeu todas as honrarias possíveis, mas hoje amarga a reserva no Rubro-Negro carioca, que luta para não ser rebaixado para a Série B. O fato prova que, no dinâmico futebol brasileiro, o que é ótimo num dia, pode não servir mais no outro. Em um passado recente, um outro estrangeiro, que anda meio esquecido no cenário nacional, também brilhou intensamente nos gramados do Brasil. O uruguaio Alberto Martín Acosta, ou simplesmente ‘Lula Molusco’ para a torcida do Náutico, comandou o Timbu no Campeonato Brasileiro de 2007.

Naquele ano, destacou-se na Série A, com 19 gols, um a menos que Josiel (Paraná), artilheiro da competição. Na ocasião, o ‘gringo’ foi eleito o melhor atacante e ainda brigou com o goleiro Rogério Ceni pelo prêmio de craque do Brasileirão. Nas últimas três temporadas, no entanto, o futebol do uruguaio desapareceu e, atualmente, Acosta amarga a reserva do Brasiliense, time que luta para não cair para a Série C. A queda foi rápida, mas com muitas histórias pelo caminho. Em janeiro de 2008, ainda como um dos jogadores mais valorizados do futebol brasileiro, choveram propostas na horta do atacante. Seis só da Série A.

- Palmeiras, Santos, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense me procuraram. Era só pegar e assinar. Mas acertei com o Corinthians.

No Timão, que passava por uma grande reformulação após o rebaixamento em 2007, Acosta chegou para liderar a equipe na Série B e logo recebeu a camisa 10. O futebol dos tempos de Náutico, porém, não foi visto nos gramados paulistas e logo vieram as primeiras críticas.

- O início foi complicado. Demorei um pouco a me adaptar ao clube.
Mas o pior ainda estava por vir. Em agosto de 2008, em uma partida contra o Criciúma, pela Série B, o uruguaio fraturou a tíbia e ficou afastado dos gramados por oito meses.

- Quando comecei a me acostumar ao clube, sofri uma lesão séria, como nunca havia sofrido na minha carreira. Quando retornei, o Corinthians havia contratado vários jogadores de qualidade para a minha posição (Ronaldo, Souza, Jorge Henrique). Aí complicou.

No retorno aos gramados, Acosta não conseguiu espaço em um time cheio de estrelas, que acabou conquistando o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil no primeiro semestre de 2009. Em maio, por empréstimo, o atacante retornou ao Náutico em busca do futebol perdido, mas as contusões continuaram o atormentando e ele quase não jogou. Pouco aproveitado, retornou ao Corinthians em setembro e voltou ao Timbu em outubro.

- Foram muitas lesões, não conseguia jogar e entrar em forma. No ano passado, foram apenas quatro ou cinco jogos pelo Náutico e o time acabou rebaixado.

Com um salário de mais de R$ 100 mil no Timão, Acosta não teve o contrato renovado e foi liberado no início deste ano. O jogador chegou a ser anunciado como reforço no Oeste, para a disputa do Paulistão, mas o clube não chegou a um acordo com o empresário do jogador. O atacante acabou voltando para o Uruguai para defender seu antigo time, o Cerrito, da segunda divisão. Mas uma proposta do Brasiliense, em julho, o fez retornar ao futebol brasileiro para disputar a Série B.

- Preferi retornar ao Brasil. No Cerrito tudo é muito diferente, o clube é pequeno. Jogávamos para 100, 200 pessoas.

Corintiano roxo
A passagem de Acosta pelo Corinthians foi discreta e não deixou a Fiel com saudades. Em um elenco milionário, o jogador foi deixado de lado e pouco aproveitado. Mesmo assim, não guarda mágoas, e tem um enorme carinho pelo clube.

- Hoje sou corintiano.

O entusiasmo com o Timão começa pela cidade. Acosta adora São Paulo. Mesmo vivendo em Brasília, sua família continua morando na capital paulista, local onde o jogador viverá após se aposentar do futebol. Se no Parque São Jorge a passagem foi discreta como jogador, por outro lado, nos campos da amizade e de títulos, o uruguaio não tem o que reclamar.

- Fiz grandes amigos, como o Alessandro, o Chicão. Até hoje falo com muitos jogadores. Torço muito por eles no Campeonato Brasileiro.

Apesar das poucas oportunidades no clube paulista, Acosta não se cansa de elogiar Mano Menezes, seu treinador na época.

– Um grande cara. Me ajudou muito no Corinthians. Não tenho nada a reclamar. Comemorei muito quando ele foi anunciado na Seleção Brasileira. Vocês estão bem servidos – comentou o atacante, ao mesmo tempo em que alguns colegas do Brasiliense brincavam:

– Estão me falando para pedir ao Mano uma chance para eles na Seleção – contou, aos risos.

Vida nova com Andrade
Completamente adaptado ao futebol brasileiro, Acosta agora convive com Andrade, outro treinador de renome nacional, embora com o perfil completamente diferente do de Mano Menezes. Acosta, porém, vê semelhanças entre os dois.

- São dois técnicos que entendem muito de futebol. Estamos animados com a chegada do Andrade. Acho que ele pode nos tirar dessa fase.

A situação à qual Acosta se refere é a zona de rebaixamento da Série B. Na 17ª colocação, o time candango não vence há três jogos e vem despencando na tabela. Apesar de vários ‘medalhões’ no plantel, como Aloísio Chulapa, Iranildo, Ruy ‘Cabeção’, Jean, Enílton, Fábio Braz, dentre outros, o jogador é duro ao avaliar o momento da equipe.

- O grupo é bom, nos damos bem, mas nome não entra em campo. Temos um grande time no papel, mas não estamos demonstrando isso nos jogos.

Com contrato até o fim de 2011, mas na reserva do Jacaré, Acosta diz entender a situação, mas começa a demonstrar que pode procurar outros rumos no final do ano, após o término da Série B.
- Quero jogar e preciso de oportunidades. Sei que elas virão. Tenho mais um ano de contrato e gosto muito do clube. Mas já recebi três propostas para jogar o Paulistão, que tem uma grande visibilidade. – disse o atacante, que ainda sonha voltar à elite do futebol brasileiro.

– Falo sempre para minha esposa que ainda vou retornar à primeira divisão e defender um grande clube do Brasil.

Aos 33 anos, o jogador ainda não fala em aposentadoria. Pensava em parar daqui a dois anos mas, ultimamente, anda pensando em prolongar a carreira.

- Vou jogar até quando me sentir bem e estiver feliz. Muitos jogadores reclamam da profissão, mas já fui vendedor de frutas durante quatro anos no Uruguai (abandonou o futebol aos 19 anos quando sua mulher engravidou) e sei como é difícil. Jogar futebol é muito bom – disse, aos risos.

Ídolo em Recife
Acosta não esconde o carinho pelo Náutico, onde viveu seu melhor momento na carreira.

– Me sinto um ídolo em Pernambuco. Todos me tratam muito bem e sempre pedem para eu voltar. Fui muito feliz no Náutico.

Outro assunto que arranca sorrisos do atacante é a seleção uruguaia. Mesmo longe das convocações desde o início das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, o jogador comemora o sucesso de seu país no último Mundial.

- Ninguém esperava por isso no Uruguai. Mas fomos muito bem e até fiquei chateado por não estarmos no final, pois poderíamos ter vencido a Holanda. O time fez bonito e está de parabéns.

De bem com a vida, Acosta só reclama do clima seco em Brasília, onde não chove há quase quatro meses

- Seca a garganta, sangra o nariz. Os dois primeiros meses foram complicados, mas já estou me acostumando – ressalta o uruguaio, que ainda só não se acostumou com a reserva no Brasiliense e vê em Andrade a sua grande chance para voltar a ganhar as manchetes no futebol brasileiro.

0 comentários:

Postar um comentário