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Aumentar o volume de grãos sem destruir a natureza é desafio em GO

O sudoeste de Goiás vira um imenso milharal nesta época do ano. A fazenda de Celso Leão Ribeiro é uma das campeãs de produtividade, os números estão acima até mesmo da média de Goiás, a maior do país, que é de oito mil quilos por hectare.

Nos últimos anos, Celso promoveu na propriedade de 400 hectares uma mudança radical no jeito de plantar e colher milho. O agricultor colhia em média seis mil quilos de milho por hectare, um pouco mais que a média nacional, que é de quatro mil e duzentos quilos por hectare, quando resolveu mudar o jeito de trabalhar.

Toda a tecnologia foi implantada sob a orientação do agrônomo Lusmar Fernandes, técnico da Comigo, Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano.

Ele ajustou a quantidade de adubo com base na análise do solo de cada talhão, buscou sementes adaptadas para o clima da região e aperfeiçoou o sistema de rotação de culturas.

Depois do milho, vem a soja ou o capim. A braquiária foi semeada de avião e dentro de mais ou menos 20 dias, o produtor vai colocar gado na área até meados de setembro. Em outubro será feito o plantio da soja.

Celso considera que todo o investimento valeu a pena. Com o sistema integrado, ele conseguiu maior volume de milho, carne e soja sem precisar aumentar a área.

Este ano o Brasil deve colher, em duas safras, 67 milhões de toneladas de milho em 15 milhões de hectares plantados. O desafio é melhorar a produtividade sem aumentar a área. Os Estados Unidos, maiores produtores mundiais do grão, colhem perto de 10 mil quilos por hectare.

Para entender o que o Brasil precisa fazer para conseguir chegar a números tão expressivos, na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, Minas Gerais, o agrônomo e pesquisador José Carlos Cruz explica que há uma luta para o Brasil ter, pelo menos, produtividade bem maior do que temos hoje.

Ele trabalha há 42 anos em pesquisas com milho e mostra os ensaios onde são testadas as quase 500 variedades do cereal. Os técnicos avaliam desde produtividade à novas técnicas usadas no cultivo da lavoura.

Depois de tantos anos de pesquisas, o agrônomo chegou a conclusão que a missão do produtor de milho brasileiro não é tão fácil assim para alcançar os produtores americanos por dois motivos: o primeiro é o clima. Enquanto lá nos EUA os americanos plantam o milho em regiões temperadas, onde chega a ter 14 horas de sol por dia, aqui no Brasil, a gente tem no verão no máximo 12 horas de sol por dia. Outra diferença é a qualidade do solo. Lá, eles plantam milho em solos de alta produtividade, enquanto no Brasil, a lavoura é cultivada de Norte a Sul, com solos bons ou ruins.

O pesquisador diz que o segredo para o Brasil ter média de produtividade melhor é difundir as técnicas que hoje já dão bons resultados no campo.

Para o chefe de transferência de tecnologia da Embrapa, em Sete Lagoas, Jaison Oliveira Duarte, o Brasil poderia dobrar a produção em alguns anos, com investimento no setor.”Nós já temos a tecnologia, mas o esforço que tem que ser feito pelas instituições de pesquisa, para que o produtor procure cada vez mais usar tecnologias que sejam sustentáveis e que promovam o aumento da produtividade”.

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