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Austrália criará a maior rede mundial de reservas marinhas

Antecipando sua participação na conferência ambiental Rio+20, a Austrália anunciou que vai criar o maior conjunto de reservas marinhas do planeta. Os parques nacionais devem cobrir uma área de 3,1 milhões de quilômetros quadrados no oceano, que inclui o Mar de Corais.

Serão colocadas restrições sobre a pesca e exploração de petróleo e gás na área, que abrange mais de um terço dos territórios marítimos da Austrália. O anúncio foi feito pelo ministro do Meio Ambiente da Austrália, Tony Burke, que participará da Rio+20 na próxima semana ao lado da primeira-ministra do país, Julia Gillard.

"É hora de o mundo tomar medidas para a proteção dos nossos oceanos - e a Austrália hoje está tomando a liderança nesse movimento", disse Burke. O projeto para a reserva, que começou a ser formulado há alguns anos, será implementado depois de um processo de consultas.

No ano passado, o governo australiano já havia anunciado planos para proteger a vida marinha do Mar de Corais, uma área de quase 1 milhão de quilômetros quadrados.

Fauna diversificada
O Mar de Corais tem uma fauna diversificada que inclui tubarões e atuns, além de recifes tropicais e cânions de águas profundas. Localizado próximo à costa de Queensland, no nordeste da Austrália, o local também abriga os destroços de três navios americanos, que afundaram na batalha do Mar do Corais, em 1942.

O conjunto de reservas ecológicas marinhas também incluirá a Grande Barreira de Corais, classificada como patrimônio da humanidade pela Unesco. A ideia do governo australiano é aumentar o número de parques nacionais marinhos de 27 para 60.

Ambientalistas, porém, consideram as medidas insuficientes e pedem uma proibição total da pesca comercial no Mar de Corais. Alguns também criticam o fato de que a exploração de petróleo e gás continuará a ser permitida perto de áreas protegidas, especialmente no oeste do país.

A organização Australian Conservation Foundation, por exemplo, lamenta que o plano para a criação das reservas continue a permitir a pesca de atum em áreas protegidas, mas reconhece que trata-se de um grande feito em termos de conservação dos oceanos.

Atualmente, a maior reserva marinha do planeta é a das Ilhas Chagos, no Oceano Índico, criada pela Grã-Bretanha em 2010. No total, essa reserva tem 545 mil quilômetros quadrados.

Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Composta por três momentos, a Rio+20 vai até o dia 15 com foco principal na discussão entre representantes governamentais sobre os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. A partir do dia 16 e até 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

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