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Banco Mundial lista Dantas e Maluf em grandes casos de corrupção

O Banco Mundial (Bird) divulgou na quinta-feira uma compilação de grandes casos de corrupção ocorridos entre 1980 e 2011. Entre os escândalos estão seis episódios brasileiros, sendo que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) aparece duas vezes. Os outros quatro citados pelo levantamento são os banqueiros Daniel Dantas e Edemar Cid Ferreira; o ex-subsecretário de Administração Tributária do Rio de Janeiro Rodrigo Silveirinha Correa; e a ex-executiva de contas do Valley National Bank Maria Carolina Nolasco.

O projeto do Banco Mundial, criado como parte de um estudo sobre corrupção, reuniu mais de 100 casos que envolveram o uso indevido de ao menos uma entidade legal ou instrumentos jurídicos para ocultar seus beneficiários e dissimular a origem e/ou destino das quantias desviadas. Na maioria dos casos, o valor movimentado se igualava ou passava de R$ 1 milhão, na época do esquema. As informações do projeto, batizado de Grand Corruption Cases Database, podem ser acessadas no endereço: http://star.worldbank.org/corruption-cases.

Saiba mais sobre os casos brasileiros elencados pelo Banco Mundial:

Daniel Dantas

O dono do banco Opportunity e sua irmã, Verônica Dantas, são acusados de lavagem de dinheiro no Reino Unido e nos Estados Unidos, através de um fundo de investimentos. Pela acusação, ele teve R$ 46 milhões bloqueados no Reino Unido. Dantas também aparece na lista por ter sido condenado, em 2008, a 10 anos de prisão pela tentativa de suborno a um delegado durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, realizada contra crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. Ele teria oferecido US$ 1 milhão para que seu nome e o de membros do Opportunity fossem retirados do inquérito. Em 2011, a pena foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Paulo Maluf
O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo foi acusado pela Promotoria de Nova York, nos Estados Unidos, de "conspiração com objetivo de roubar dinheiro da cidade de São Paulo a fim de possuir fundos no Brasil, Nova York e outros lugares, e ocultar dinheiro roubado". A Promotoria aponta que foram desviados recursos do projeto da avenida Água Espraiada, na capital paulista, e que os valores roubados foram transferidos para uma conta bancária em Nova York. Depois, os recursos teriam sido repassados para uma conta nas Ilhas Canal, no Reino Unido. O procurador-geral do condado de Nova York apontou que R$ 140 milhões passaram pela principal conta de Maluf no Banco Safra, em Manhattan.

A segunda citação a Maluf se refere também à suspeita de superfaturamentos e desvios de obras públicas e remessa de valores a paraísos fiscais. No caso, parte dos valores teriam sido remetidos à Ilha Jersey, no Reino Unido, por meio de duas empresas que seriam de propriedade de Maluf e seu filho. Foram bloqueados R$ 26 milhões depositados na ilha, destaca o Banco Mundial. As acusações levaram o nome de Maluf à lista de procurados da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).

Cid Ferreira

O fundador do Banco Santos foi condenado em 2006 a 21 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro durante a gestão, o que teria levado a instituição financeira à falência, com perdas estimadas em mais de R$ 1 bilhão. Após intervenção do Banco Central, foram descobertas irregularidades na concessão de empréstimos a empresas em dificuldades financeiras no Brasil em troca da compra de títulos e de investimentos em empresas localizadas em paraísos fiscais. Quadros da coleção do banqueiro, avaliados em US$ 4 milhões e que teriam sido adquiridos com recursos do banco, foram localizados nos Estados Unidos e repatriados em 2010.

Silveirinha
O ex-subsecretário de Administração Tributária do governo Anthony Garotinho, no Rio de Janeiro, foi um dos 22 condenados por um esquema de envio de cerca de US$ 30 milhões para a Suíça, em um escândalo que ficou conhecido como Propinoduto, em 2003. Participariam do esquema fiscais da Receita Estadual e auditores da Receita Federal que receberiam propinas de empresas. O fiscal de renda Silveirinha aparecia como dono de depósitos no valor de US$ 8,7 milhões na Europa.

Carolina Nolasco
A portuguesa naturalizada americana foi detida em 2002 nos Estados Unidos, acusada de integrar uma rede brasileira de lavagem de dinheiro. A executiva de contas bancárias teria recebido propina para transferir fundos do banco Valley National de forma irregular, em um esquema que envolveria 60 pessoas. Em 2004, ela se declarou culpada das operações ilegais e concordou em devolver US$ 21 milhões depositados em 39 contas do banco Merchants, onde também havia trabalhado.

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