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Citado no caso Cachoeira, tucano abandona disputa em Goiânia

O médico e deputado federal Leonardo Vilela (PSDB) comunicou nesta quinta-feira ao Conselho Político do PSDB de Goiás - o partido do governador Marconi Perillo - sua desistência em disputar a prefeitura de Goiânia na eleição deste ano. O deputado, ex-presidente regional do partido, teve sua pré-candidatura lançada com o apoio da cúpula tucana em março. Logo depois, em abril, porém, seu nome foi divulgado na imprensa em lista da investigação da Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF) com políticos que tiveram contato com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na época, Leonardo admitiu que conversou com Cachoeira duas vezes, em um espaço de um ano. Na primeira, ligou para pedir ao bicheiro uma entrevista de emprego para a filha, no Instituto de Ciências Farmacêuticas (IFC), em Goiânia, onde Cachoeira teria influência. Na segunda vez, pediu a Carlinhos Cachoeira que o ajudasse a marcar um encontro com o senador Demóstenes Torres, para buscar apoio para sua candidatura a prefeito de Goiânia.

Além do desgaste provocado pela revelação das escutas da PF, Leonardo não conseguiu superar fissuras causadas pela disputa interna com dois outros nomes tucanos que pretendiam a candidatura: o deputado estadual Fábio Sousa, presidente metropolitano do PSDB, e o deputado federal João Campos. Além da falta de unanimidade em torno de seu nome, ultimamente, setores da base do PSDB reclamavam que Leonardo não se movimentava, o que estaria prejudicando a formação da chapa proporcional, e havia ficado "paralisado" pelo envolvimento no escândalo.

Em nota divulgada em seu site, o deputado justificou sua decisão. "O escândalo advindo da Operação Monte Carlo atingiu toda a classe política. Mais que isso: abalou a confiança da sociedade nas instituições e nos valores da própria democracia. Em tal ambiente, percebemos que o eleitorado, com uma descrença generalizada, não está aberto a um debate político franco, que seria o esteio do nosso projeto", disse.

Na nota, o deputado admite que estava difícil conseguir consenso em torno de seu nome também na base de partidos de apoio do governador Marconi. "Continuo considerando que a união da base é a chave para a vitória do PSDB. Infelizmente, não foi possível, com a nossa candidatura, obter esse consenso", anotou. O deputado agradecee a confiança depositada pelo PSDB em seu nome e garantiu "o engajamento integral na campanha deste ano, seja qual for a escolha do partido".

Segundo o atual presidente do PSDB, Paulo de Jesus, a decisão de Leonardo foi um misto de desânimo pessoal do deputado e de uma análise objetiva do cenário eleitoral não favorável a sua postulação. "Ele desanimou e acredita que sua candidatura perdeu o timing", disse Paulo de Jesus.

Paulo de Jesus disse que, agora, o PSDB vai zerar de novo o processo de escolha do candidato a prefeito da capital e refazer uma consulta interna, com prioridade para os nomes dos deputados Fábio Sousa e João Campos. "O conselho vai decidir agora o novo nome. Não será através de prévias, que não apoiamos e também não teria tempo", afirmou.

Paulinho, que considerou a decisão pessoal de Leonardo Vilela em desistir da pré-candidatura "elegante", admite que o PSDB não deixa de ter um prejuízo com o caso. "Mas ainda dá tempo de superar. O prazo para as convenções terminam só no dia 30. O PSDB tem bons nomes para escolher", disse.

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