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CPI do Cachoeira: parlamentares do PSDB querem que Dilma deponha

Parlamentares do PSDB querem a presidente república Dilma Rousseff preste depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investiga as ligações de políticos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os deputados federais Fernando Francischini (PR), Vanderlei Macris (SP), Domingos Sávio (MG) e Carlos Sampaio (SP) apresentaram o requerimento nesta quinta-feira. Eles querem que Dilma explique as relações da empresa Delta Construtora, que também teria ligações com o contraventor, com o governo federal e o PT.

No entanto, não há acordo para que o requerimento entre na pauta de votação de hoje. Deputado atuante da base de apoio ao governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) disse que a atitude da oposição vem do desespero. "Isso é o cúmulo do ridículo e do desespero. É a prova cabal de que eles não estão levando a sério essa CPI", argumentou.

Também foram apresentados requerimentos de convocação para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior; o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB); e do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Há ainda um requerimento de informações dirigido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O pedido de informações dirigido a Lula foi apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele pergunta ao ex-presidente, entre outras coisas, como é que ele ficou sabendo que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes havia se encontrado com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na Alemanha.

A convocação de Serra foi proposta pelo deputado Dr. Rosinha (PT-PR). Ele diz que a Delta começou a prestar serviços na cidade de São Paulo em 2005, quando Serra era prefeito.

A convocação da ministra Miriam Belchior foi proposta pelo deputado Filipe Pereira (PSC-RJ). Ele argumenta que a Delta "é uma das principais fornecedoras" do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - que está sob a responsabilidade da ministra. Já a contra o governador Sérgio Cabral foi proposta pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR). Ele quer esclarecer a suposta ligação do governador com a construtora Delta. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) propôs a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de Sérgio Cabral.

Os deputados tucanos argumentam que a empresa doou mais de R$ 1 milhão para a campanha de Dilma quando ela concorreu à Presidência. Outro argumento usado, narra que o frigorífico JBS - pertencente à holding J&F, que estaria adquirindo a Delta - doou outros R$ 12 milhões ao comitê financeiro e à direção nacional do PT quando Dilma era ministra-chefe da Casa Civil . "Fica claro, portanto, que as doações de campanha escondem interesses escusos", diz o documento.

Além da votação dos requerimentos que pedem a quebra de sigilo telefônico e de mensagens do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), a CPI voltará a analisar requerimentos de novas convocações, apesar de já ter chamado mais de 50 pessoas. Entre as possíveis nomes estão o do ex-presidente da construtora Delta Fernando Cavendish e o do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot. Nos dois casos, a convocação envolverá embates políticos entre os principais partidos do Congresso: PT, PMDB e PSDB.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Com informações da Agência Câmara.

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