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Eurocopa 2012 (Grupo A) - 3ª rodada: Com 'ferrolho' à la 2004, Grécia vence Rússia e avança às quartas de final

O ano é 2012. Mas poderia ser 2004. Como há oito anos, a Grécia voltou a supreender na Eurocopa. Com o velho ferrolho que lhe é característico e na melhor condição de zebra, a seleção helência venceu a favorita Rússia por 1 a 0 na última rodada do Grupo A e se garantiu nas quartas de final como segundo colocado. O gol que selou a classificação foi marcado por um remanescente da histórica conquista: o meia Karagounis.

E para provar essa "volta no tempo", o resultado deste sábado, que classificou os helênicos, também foi o mais comum no histórico título da Eurocopa de 2004, quando, nas quartas, semis e final, o time da Terra de Platão superou por um gol de diferença França, República Tcheca e Portugal, respectivamente. Será que o raio pode, sim, cair por duas vezes no mesmo lugar?

Líder da chave antes da rodada, a equipe de Arshavin precisava de apenas um empate para avançar, mas acabou eliminada, com os mesmos quatro pontos dos gregos, pois o primeiro critério de desempate é o confronto direto - no saldo de gols, foi até melhor, com dois contra zero do adversário. O primeiro colocado do grupo A, com seis pontos, foi a República Tcheca, vitoriosa diante da anfitriã Polônia também por 1 a 0.

Na próxima fase, a Grécia, que ficou em segundo lugar no Grupo A com quatro pontos, encara o primeiro colocado do "grupo da morte", que conta com Portugal, Dinamarca, Holanda e Alemanha, cuja definição acontece neste domingo. Já os tchecos, líderes, enfrentam o segundo colocado dessa mesma chave.

Gregos, russos e.. Poloneses

Ao contrário dos outros dois jogos no estádio Nacional de Varsóvia, ambos com a anfitriã Polônia atuando, a partida deste sábado não lotou as arquibancadas. No entanto, a torcida russa estava em casa. Maioria no estádio, os fãs do time de Arshavin começaram levando um susto. Logo aos cinco minutos, após bola alçada na área, Katsouranis desviou de cabeça e obrigou o goleiro Malafeev a desviar para escanteio.

O lance levantou não só a torcida grega, mas também os poloneses, que, mesmo com a sua equipe jogando a quilômetros de Varsóvia, na Breslávia, marcaram presença no estádio e gritaram "Polska, Polska, Polska". Vaias por parte dos russos, mas nada de confusão.

Aos dez, a Rússia chegou pela primeira vez com perigo. Jogador do CSKA Moscou, o meia-atacante Dzagoev fez boa jogada pela direita e cruzou à meia altura. Craque e capitão do time, o camisa 10 Arshavin, quase na pequena área, chutou dividido com a zaga grega e Sifakis, que barrou o antigo titular Chalkias, defendeu em dois tempos.

A jogada despertou os "donos da casa", que, depois do susto no início, quase marcaram após uma jogada de ponta-esquerda de Zhirkov. Companheiro de Roberto Carlos no Anzhi, o lateral foi ao fundo e cruzou para trás. Atenta, a defesa helência cortou para escanteio. Instantes depois, Kerzhakov tirou tinta da trave com um chute da entrada da área.

Na sequência, o time do técnico holandês Dick Advocaat passou a dominar completamente as ações. Do outro lado, embora precisando da vitória para seguir vivo na competição, os gregos não abdicavam da velha retranca (sem a bola, todo o time se entrincheirava no campo de defesa). E com esse esquema que garantiu o título da Euro 2004 diante de Portugal, os helênicos exploravam esporádicos contra-ataques e jogadas aéreas.

Quando a partida caminhava para um primeiro tempo sem gols e com a Rússia merecendo melhor sorte, o "ferolho" grego acabou dando certo. Nos acréscimos, após cobrança de lateral pela direita, a zaga russa vacilou, e a bola sobrou para o capitão Karagounis. Vilão na primeira rodada ao perder um pênalti diante da Polônia, o meia do Panathinaikos penetrou na área e arrematou forte sem chances para Malafeev.

Karagounis se benze desesperadamente após cartão que o suspende

Na volta para o intervalo, Advocaat fez o que quase todos na imprensa russa pediam desde o começo do torneio: tirar Kerzhakov do time. Inoperante outra vez na etapa inicial, o atacante do Zenit deu lugar a Pavlyuchenko.

Do lado da Grécia, nenhuma alteração. E muito menos no estilo de jogo. Se em desvantagem o time do técnico português Fernando Santos já esperava o adversário, com o 1 a 0 a favor então...

Confira a classificação e a relação completa de jogos desta Eurocopa

E, para colaborar, os russos, que embora se classificassem com a derrota enquanto o 0 a 0 entre tchecos e poloneses persistisse no outro jogo da chave, demonstravam nervosismo. Melhor para o experiente trio de ataque grego formado por Gekas, Salpingidis e Samaras, que segurava a bola no ataque e fazia o tempo correr.

Aos 15, entretanto, o árbitro sueco Jonas Eriksson deu uma mãozinha aos russos. Karagounis fez bela jogada individual e foi derrubado por Ignashevich. O juiz, entretanto, disse que o veterano se jogou e ainda lhe advertiu com o cartão amarelo, que o tira da próxima partida. Revoltado, o camisa 10, que havia reclamado bastante da arbitragem na estreia diante da Polônia, até se benzeu, desesperadamente, durante a reclamação. Momentos depois, foi sacado de campo pelo técnico que preferiu evitar uma expulsão.

Desespero russo no fim

O lance não diminuiu o ímpeto grego. Aos 25, Tzavlellas, em cobrança de falta, carimbou o travessão. Na sequência, mostrando o total nervosismo russo, Dzagoev recebeu amarelo por falta que poderia até lhe render um vermelho.

Aos 35, ao ver que a República Tcheca marcara diante da Polônia, eliminando assim a Rússia, Advocaat sacou o volante Glushakov e colocou o atacante Pogrebnyak. Logo depois, botou outro homem mais ofensivo, Izmailov, no lugar do lateral Anyukov.

As substituições, entretanto, não surtiram o efeito desejado, e a Rússia, apesar do bom começo na Euro, quando goleou os tchecos por 4 a 1, ficou desesperada no fim para não sair da competição de maneira precoce. Na base do abafa, tentou o gol de empate que a classificaria, mas esbarrou de novo no ferrolho adversário. Com o apito final, os gregos entraram em êxtase pela manutenção do sonho de repetir 2004.

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