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Eurocopa 2012 (Grupo B) - 2ª rodada: Em dia de Schweinsteiger e Mario Gomez, Alemanha bate a Holanda


O clássico Holanda x Alemanha virou sinônimo de jogo emocionante quando a competição é à vera. Correto? Mais uma vez. Tem sido assim em Copas do Mundo e em Eurocopas. Nesta quarta-feira, pela edição 2012 da Euro, voltou a empolgar os torcedores. A partida válida pelo grupo B, no Estádio Metalist, em Carcóvia, na Ucrânia, certamente vai entrar na lista dos bons jogos. Ainda que longe do que foi a decisão da Copa de 1974 e a semifinal do europeu de 1988, será lembrada pela tentativa de reação holandesa no segundo tempo, após incontestável domínio alemão na primeira etapa.

Mas essa superioridade técnica e tática mostrou por que a seleção alemã treinada por Joachim Low é uma das favoritas ao título. A vitória por 2 a 1 foi cristalina. Mario Gomez, na primeira etapa, marcou os dois gols da vitória, após belos passes de Schweinsteiger. O atacante, além de se igualar na artilharia da competição com o russo Dzagoev, praticamente selou a classificação da equipe para a próxima fase, com duas vitórias.

Na última rodada, no próximo domingo, os alemães enfrentam a Dinamarca e jogam pelo empate para não depender de outro resultado. A Holanda, em estado crítico na competição, enfrentará Portugal precisando vencer com boa vantagem e torcendo por triunfo alemão sobre a Dinamarca. As duas partidas serão às 15h45. Com duas derrotas até agora, os laranjas só passarão à próxima fase se fizerem três pontos para se igualarem a Portugal e Dinamarca e levarem vantagem no saldo de gols - portugueses e dinamarqueses têm saldo zero, contra menos dois dos holandeses.

Alemães melhores

O começo foi típico de um clássico como Holanda x Alemanha. Jogadas bonitas, lances com emoção. Os alemães mostraram que jogariam com o regulamento debaixo do braço. Com a vantagem de terem vencido Portugal na primeira rodada, podiam se dar o luxo de esperar os holandeses, necessitados de uma vitória, deixarem espaços.

Ainda abalada com a derrota para a Dinamarca na primeira rodada, a Holanda sabia que mudar muito o repertório não ia resolver. Para chegar ao gol, o melhor caminho era pelo meio, com Sneijder organizando a casa, ou com Robben em velocidade pela direita. E o destino da bola sempre para Van Persie. Em 10 minutos, houve três chances de gol dos dois lados. E a vantagem aí foi laranja.

A surpresa foi que a primeira grande jogada não saiu dos pés de Sneijder. Van Bommel, o incansável camisa 6, caprichou no longo lançamento para a grande esperança de gols. Van Persie, até então decepcionante, resolveu bater de primeira em vez de dominar para colocar. Jogou a chances nas mãos de Neuer.

Os alemães trataram logo de dar a resposta. Aproveitando rebatida errada do mesmo Van Bommel, Ozil bateu com a sua certeira canhota. A bola tocou na trave e depois foi âs mãos de Stekelenburg.

A velocidade do jogo aumentou, principalmente por conta de Robben. Numa daquelas arrancadas da direita para o meio, deixou Lahm para trás e serviu Van Persie. Mais uma vez, o homem-gol holandês falhou e tocou para fora.

Essa era a diferença básica de holandeses para alemães: a aposta no nome para decidir. Van Persie, bem no Arsenal, da Inglaterra, não repetia o brilhantismo na seleção laranja. Enquanto Huntellar mostrava-se visivelmente contrariado no banco com o técnico Bert Van Marwijk pela falta de oportunidade de começar jogando, do lado alemão Mario Gomez correspondia à confiança de Joachim Low.

O atacante do Bayern de Munique mostrou por que é o titular hoje da posição e deixou Klose no banco da seleção alemã. Tudo bem que ter um Schweinsteiger no time é uma vantagem e tanto. O camisa 7 alemão, por pouco sacado dessa partida por questões físicas, serviu com açúcar e com afeto o camisa 23. Mas Gomez fez com competência a sua parte. Girou bonito como se jogasse futsal e bateu sem defesa para Stekelenburg, aos 23 minutos.

Ponto para mais uma correta aposta do técnico Joachim Low. Com Schweinsteiger bem posicionado, Ozil e Thomas Müller tocando rápido e a Holanda mais desarvorada com a desvantagem, a Alemanha ficou cirúrgica. A marcação a Robben melhorou. Lahm e Khedira se acertaram por ali. Do lado direito, a equipe se aproveitava da pouca experiência do novato Willems. Em falta por ali, Ozil cobrou na cabeça de Badstuber, mas Stekelenburg salvou a pátria laranja.

Mas não dava para fazer milagre. No minuto seguinte, ali mesmo, pela direita, em nova troca de passes, Schweinsteiger repetiu a dose e serviu Mario Gomez. O tiro certeiro, cruzado, decretou a boa vantagem na primeira etapa: 2 a 0, aos 37 minutos. O camisa 23 conseguia também empatar na artilharia da competição com o russo Dzagoev, com três gols. Àquela altura, os holandeses torciam para o primeiro tempo acabar. Aos 46, Schweinsteiger quase ampliou. O apito do árbitro aliviou um pouco. Era torcer para tudo mudar no segundo tempo.

Reação holandesa


A Laranja entrou mudada. Bert Van Marwijk sacou Van Bommel e Afelay - esse uma nulidade na primeira etapa - para pôr Van der Vaart e Huntelar. A superioridade em posse de bola, no entanto, não significava susperioridade. Até porque o sistema defensivo alemão estava impecável, principalmente porque Hummels seguia soberano no desarme e até quando ia à frente. Aos 6 minutos, arrancou até a área holandesa e obrigou Stekelenburg a duas grandes defesas - a primeira e a do rebote.

Com Ozil no comando das ações e Robben e Sneijder apagados, parecia que a Alemanha repetiria o domínio técnico e tático até que Van Persie obrigou Neuer a grande defesa, aos 12 minutos. A Holanda acordou. Sneijder também. O camisa 10 surpreendeu de longe. Coube a Neuer apenas torcer para a bola sair. E a torcida do goleiro deu certo.

Mas a partida mudou. A Holanda ganhou confiança e diminuiu os buracos na defesa. O passe no meio-campo melhorou com Van der Vaart. Sneijder e Robben apareciam mais na criação. E Van Persie, finalmente, desencantou na Euro. Ao receber de Robben, arrancou pela meia esquerda e bateu sem defesa para Neyer, aos 27 minutos.

A torcida holandesa começou a empurrar o time. Low trocou Mario Gomez por Klose e Ozil por Kroos. Depois, o treinador holandês pôs Kuyt no lugar de Robben, que saiu insatisfeito. No fim, o goleiro Stekelenburg ainda se complicou, quase dando um gol para Klose no fim. Já no desespero, a Holanda não conseguiu o empate. O time alemão, após o triunfo, foi agradecer ao apoio da torcida. Agora, é pensar na próxima fase.

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