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Mais de 1,5 milhão são afetados por crise na Síria, diz Cruz Vermelha

Mais de 1,5 milhão de pessoas que vivem na Síria são afetadas direta ou indiretamente pelos confrontos no país e precisam de ajuda, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, única organização que mantém equipes no país.

De acordo com comunicado divulgado no site da entidade, desde fevereiro deste ano, a situação humanitária vem se deteriorando em várias partes do país, com mortes diárias, enquanto continua a batalha entre forças do governo e grupos armados de oposição ao regime de Bashar Al Assad.

A situação é pior em Idlib, nas zonas rurais de Idlib e da capital Damasco, em Hama, que foi palco de uma matança de 108 pessoas e, em grau menor, em Alepo, Deraa, Deir El Zor e Lattakia, na costa. “Recebemos relatos frequentes de pessoas enfrentando dificuldades em ter acesso a tratamento médico e comida, incluindo pão”, diz a Cruz Vermelha.

Junto com o Crescente Vermelho Árabe-Sírio, a organização diz prover assistência a mais de 400 mil pessoas na Síria.

Muitas pessoas também estão desabrigadas ou vivendo em condições precárias, abrigando-se na casa de familiares e amigos ou em prédios públicos, segundo a Cruz Vermelha. Em partes do país há falta de serviços básicos como água encanada e energia elétrica.

'Cheiro de carne'
O cheiro de carne queimada paira no ar e partes de corpos estão espalhadas pela aldeia síria de Mazraat al-Qubeir, disseram inspetores da Organização das Nações Unidas após visitarem o local, agora deserto, onde 78 pessoas teriam sido mortas há dois dias.

A suposta chacina de quarta-feira ilustra como as potências estrangeiras, divididas e buscando seus próprios interesses no Oriente Médio, são incapazes de evitar a crescente carnificina nos 15 meses de conflito na Síria.

Os monitores, desarmados, foram barrados por soldados e moradores da aldeia na véspera, mas voltaram com reforços nesta sexta-feira, encontrando-a vazia e com sinais de violência.

Uma casa estava danificada por um foguete e por tiros, e outra estava queimada, com cadáveres ainda no interior, segundo Sausan Ghosheh, porta-voz da ONU.

"Dava para sentir o cheio de corpos, e dava para ver partes de corpos pela aldeia e arredores", disse Ghosheh a jornalistas após retornar a Damasco.

O repórter Paul Danahar, da BBC, que acompanhou a visita, disse que claramente um "crime terrível" ocorreu no local.

Em uma casa, ele viu "pedaços de cérebros caídos no chão". "Havia uma toalha de mesa coberta de sangue e carne, e alguém havia tentado enxugar o sangue empurrando-o para o canto, mas parece que desistiram, porque havia muito (sangue)."

"O que não encontramos foram corpos das pessoas. O que encontramos foram marcas no asfalto, que a ONU disse que pareciam de blindados de transporte de pessoal ou tanques", acrescentou Danahar pelo Twitter.

Segundo Ghosheh, Mazraat al-Qubeir, que tinha uma população em torno de 150 pessoas antes do massacre, estava vazia nesta sexta-feira, mas moradores de localidades vizinhas apareceram para fazer seu relato.

"A informação era um pouco conflitante. Precisamos voltar, cruzar referências que escutamos, e checar os nomes de quem eles dizem que foram mortos, os nomes de quem eles dizem que desapareceram."

Ativistas dizem que pelo menos 78 pessoas morreram baleadas, esfaqueadas ou queimadas na aldeia sunita, e atribuíram o ataque às forças do governo e a milícias leais ao presidente Bashar al-Assad, que pertence à seita alauita, uma vertente do islamismo xiita.

As autoridades condenaram as mortes em Mazraat al-Qubeir e um massacre anterior, que deixou 108 mortos há duas semanas na localidade de Houla, atribuindo ambos os casos a "terroristas".

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