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'Me sinto em condições de expressar a unidade do PT', diz Humberto Costa

"Eu me sinto em condições de ser a expressão da unidade do partido". A frase foi dita por Humberto Costa, senador do Partido dos Trabalhadores (PT) e candidato do partido à prefeitura do Recife nas próximas eleições, durante entrevista coletiva concedida na sede do PT estadual, no Recife, na tarde desta quinta-feira (07). Humberto Costa chegou acompanhado do presidente estadual do partido, Pedro Eugênio, do deputado Federal João Paulo e secretário de Transportes de Pernambuco, Isaltino Nascimento, entre outras lideranças.

Questionado sobre a união do partido estar em jogo e poder ser um dos problemas que tem de ser enfrentado, o senador se manteve tranquilo. "Mesmo que as prévias tivessem sido aceitas, haveria certa ruptura. É natural que todos os partidos da Frente tenham certas inquietações de como vai ser esse processo daqui para frente. Eu só fiz alguns telefonemas para comunicar a decisão do partido, não tive oportunidade de conversar com ninguém. Não tenho nenhuma dúvida de que estaremos juntos, primeiro porque o PT tomou uma decisão. Segundo lugar, sabemos que a plena unidade do PT vai ser um processo, dado o grau de acirramento dessa disputa", disse Humberto.

Humberto reafirmou o interesse em conversar com o atual prefeito João da Costa e tê-lo ao seu lado na campanha. "Ele é também uma liderança do PT. Eu vim de Brasília hoje e não tive condição de encontrar João da Costa. Estou também esperando a poeira baixar, foi um processo bastante rico de ânimos exaltados, estamos esperando o momento para falar com o prefeito", explicou o candidato, que ressaltou a experiência adquirida em anos no PT como mais um dos pontos que o ajudarão a lidar com a situação.

Para o senador, a indicação de seu nome foi a melhor solução para a situação das prévias. "Todos acompanharam o processo que aconteceu aqui. Sabem que nunca pleiteiei a candidatura a prefeito. Não disputei prévias, não participei dos acirramentos de ânimos. Eu me coloquei de um lado porque entendi que tínhamos problemas na gestão política. O entendimento é que aquela situação criada teria tirado as condições tanto de Maurício Rands, quanto de João da Costa. Foi principalmente uma preocupação com a cidade e uma necessidade de preservar o projeto", apontou Humberto.

O governador Eduardo Campos e o senador Armando Monteiro estão entre as pessoas que Humberto deve procurar nos próximos dias. "Vamos procurar todos os aliados da Frente Popular, em especial o governador Eduardo Campos, o grande comandante da Frente, e todos os partidos, pontos de força, como o senador Armando Monteiro. Eu entendo que o problema partidário seja importante, mas questões do Recife não se restringem a isso", afirmou o candiato, que diz não se preocupar com a possibilidade do PSB não apoiá-lo, uma vez que essa é uma aliança que tem dado certo.

Entenda o caso
A primeira prévia do PT no Recife ocorreu no dia 20 de maio e foi cancelada após muita polêmica. Isso porque a lista original de aptos a votar incluía aproximadamente 20 mil pessoas – os filiados que quitaram suas contribuições individualmente até o dia 5 de maio - mas o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Jovaldo Nunes, habilitou a votar uma segunda lista, que teria, aproximadamente, 13 mil pessoas, causando desentendimento entre as duas partes. O PT do Recife tem aproximadamente 33 mil filiados.

As duas candidaturas recorreram à Justiça e várias liminares foram expedidas em relação à prévia. Uma determinação judicial impediu a divulgação oficial do resultado. Extraoficialmente, a contagem de votos favoreceu o atual prefeito, que teve cerca de 600 votos a mais que o adversário.

No dia 30 de maio, o deputado Maurício Rands anunciou sua renúncia, em favor do senador Humberto Costa, que seria o candidato de consenso do PT. Após a renúncia de Rands, o secretário nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi, disse que não haveria como ter prévia por não haver um candidato para concorrer com João da Costa. Ainda de acordo com Frateschi, a decisão sobre quem seria o candidato da legenda à Prefeitura ficaria a cargo do diretório nacional.

No dia seguinte, 31 de maio, João da Costa reiterou sua intenção de continuar sendo o candidato do PT à reeleição, na disputa pela Prefeitura do Recife. "Pelo regimento, cabe à executiva nacional do partido homologar a minha candidatura, porque meu adversário desistiu", disse. "Não havia circunstância política que me impedisse de ser candidato. Já liguei para o presidente do PT [Rui Falcão] e comuniquei minha resposta. Mas não sei se a sugestão dele [a retirada de ambas as candidaturas em prol de Humberto Costa] é uma decisão", afirmou João da Costa, na época.

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