Marcadores:

Morte de bebê no Leal Junior causa revolta

Vinícius Rodrigues - “Só me restou abraçar a fralda”, essas foram as palavras da jovem Jéssica de Azevedo Silva, que estava grávida do pequeno Artur que morreu ao nascer na última terça-feira. A possível omissão do Hospital Municipal Desembargador Leal Jr. interrompeu mais uma história de vida, dessa vez, a família Silva foi tomada pela tristeza com a morte do pequeno. Jéssica de Azevedo Silva, de 18 anos foi internada na última segunda-feira (4), com fortes dores na região do abdômen. Após tomar uma injeção para aliviar a dor, a paciente recebeu a informação da médica que a atendeu dizendo que em 10 minutos ela poderia ir embora. Depois de passar por um martírio, Jéssica perdeu o bebê no dia seguinte, após o trabalho de parto. O laudo médico apresentado pelo hospital, acusou a morte como causa natural. Já o laudo do IML, apresentou a falta de oxigenação no útero da mãe como causa da morte. A família acredita que se houvesse a cesariana a criança poderia ter sobrevivido, já que a pouca dilatação para um parto normal ocasionou a complicação do nascimento do bebê. A família registrou ocorrência na delegacia pela omissão do hospital.

Moradores do Apolo III, em Itaboraí, Bruno Luis Abreu da Silva, 24 anos e Jéssica estavam radiantes com a chegada do bebê. A jovem seria mãe pela primeira vez e Bruno teria o primeiro filho homem. “Estávamos radiantes com a chegada do Artur. Lembro que na semana passada, quando houve o chá de bebê, nos falávamos do Artur como se ele já estivesse entre nós. A casa estava toda decorada”, disse um dos familiares.

Drama foi acompanhado pela família

Luciene de Azevedo Silva, tia de Jéssica, contou que na última segunda-feira, a sobrinha foi visitar a irmã na Aldeia da Prata, quando se sentiu mal após almoçar e resolveu se deitar. Como a dor não passou, resolveu ir para o hospital.

“Quando deu cinco da tarde, nós chegamos ao Leal Jr. e minha sobrinha precisou ser internada porque as contrações eram muito fortes”. “O problema é que a mulher que cuidou dela, deu apenas uma injeção e disse que ela poderia ir embora em apenas dez minutos, e foi aí que eu disse que ela não iria por causa das dores, já que não tinha passado”, contou ela.

Por volta das cinco horas da manhã de terça-feira, Jéssica entrou em trabalho de parto. Os batimentos estavam normais e a bolsa estourou, aumentando as dores da paciente. Apesar disso, Luciene disse que a sobrinha recebeu o aumento de soro para provocar mais dor e consequentemente forçar a dilatação para realizar o parto normal. A equipe de plantão que entrou por volta das 6h, conforme disse Luciene, continuou medindo os batimentos do coração da criança e da mãe, mas ao mesmo tempo, outras três mães realizavam o trabalho de parto. Alternando a assistência entre as mães, a equipe médica precisou se desdobrar para atender à paciente, quando em um momento de medição, o médico (que não teve o nome revelado), não escutou mais o coração do pequeno Artur.

“O doutor disse que não escutava mais os batimentos. Desde o momento em que eu percebi que a Jéssica não estava com a dilatação suficiente para ter o Artur, eu me perguntei o porquê de não terem realizado uma cesariana. Aí eles fizeram a ultrassonografia e a encaminharam ao centro cirúrgico porque não escutavam o coração do bebê. Eu achei negligência dos plantões anteriores. Disseram que não poderiam fazer a cesária, mas não disseram o porquê”, revelou a Luciene, que esteve a todo momento acompanhando o sofrimento da sobrinha.

IML x Hospital Leal Jr. têm laudos diferentes

“A desinformação entre os laudos apresentados pelo IML e o Leal Jr, chamam a atenção. De um lado, o IML diz que a causa mortis da criança foi por Anoxia Intra Uterina (falta de oxigenação no útero), e foi diagnosticado que a falta de oxigênio foi do bebê. Já o hospital, diz que a criança teve morte natural.

“Eu não acredito no laudo apresentado pelo médico”, diz o pai da criança. O boletim de ocorrência foi feito e a família pede por justiça.
“É triste você esperar receber uma criança com as roupinhas e de repente ele vir em um saco de lixo. Isso é desumano. Eu percebo que ela tenta se mostrar forte, mas quando percebe a alegria das outras mães com seus filhos, ela chora. É muito triste toda essa situação”, diz um dos familiares.

O enterro do pequeno Artur será hoje, mas até o fechamento desta edição, a família não sabia informar o horário. Jéssica também terá alta hoje, conforme disse os familiares.
A equipe de O Itaboraí não conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, já que não houve plantão por causa do feriado de Corpus Christi.

0 comentários:

Postar um comentário