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Resultado de eleição reduz risco de Grécia deixar o euro, avalia Fitch

A vitória do partido de centro direita Nova Democracia nas eleições parlamentares realizadas no domingo "reduzem, no curto prazo, o risco de um calote desordenado na Grécia e da saída do país da zona do euro", afirmou, nesta segunda-feira (18), a agência de classificação de risco Fitch.

"Consequentemente, a Fitch não colocará as notas de crédito soberanas dos países da zona do euro sob observação, como havia indicado que faria se a saída da Grécia da zona do euro se tornasse um evento provável no curto prazo", apontou a agência em nota.

Apesar da queda nos riscos, a agência avaliou que a crise permanece intensa e que o ritmo de contração da economia está "quase certamente se acelerando".

Eleições na Grécia
No domingo, o partido de centro-direita Nova Democracia obteve uma vitória apertada, que aliviou os temores de uma saída repentina do euro. O partido vai agora tentar formar uma coalizão que apoie o resgate internacional ao país.

Ações europeias e o euro abriram em alta após o resultado da votação, e as ruas de Atenas estavam tranquilas depois que o líder do Nova Democracia, Antonis Samaras, prometeu agir rapidamente para formar um governo. Ele recebeu do presidente Karolos Papoulias um mandato para montar uma coalizão.

O presidente da Grécia disse que era um "imperativo categórico" formar um governo de coalizão a partir desta segunda-feira, ao confiar a Samaras um mandato "exploratório" de três dias.

"Vou tentar formar um governo de salvação nacional com os partidos que acreditam na orientação europeia do país e acreditam no euro", disse Samaras ao sair da reunião com o presidente.

"Acredito que há margem para conseguir isso", acrescentou Samaras, que anunciou consultas com outros partidos e reafirmou que quer "renegociar" o plano de austeridade imposto pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

É preciso negociar para tirar o povo da realidade torturadora do desemprego", disse Samaras.

O socialista Pasok, uma antiga potência política que atualmente é apenas a terceira força, indicou que vai apoiar a coalizão, mas ainda não anunciou se fará parte do governo ou se o apoio será apenas parlamentar.

Vivendo uma profunda recessão, afundado em sua enorme dívida pública e enfrentando risco de revoltas populares, a Grécia enfrenta uma difícil tarefa de reconstruir sua economia praticamente falida, e um novo governo pode enfrentar uma nova onda de protestos após tomar posse.

"A crise foi adiada, não necessariamente evitada", disse Theodore Couloumbis, analista político e vice-presidente do instituto de estudos de Atenas ELIAMEP.

"Para esse governo durar ele precisa mostrar resultados. Você não pode continuar com desemprego de 50% entre os jovens e um quinto ano consecutivo de recessão", acrescentou.

O bloco radical de esquerda Syriza, que tinha prometido abandonar os termos do resgate assinado em março com a União Europeia e o FMI, teve resultado firme na eleição e seu líder, Alexis Tsipras, prometeu manter sua oposição às medidas de austeridade impostas pelos credores internacionais.

Com quase 100% dos votos apurados, o Nova Democracia ficou com 29,7% dos votos, à frente dos 27% do Syriza, com o Pasok em terceiro, com 12,3%.

Um prêmio de 50 cadeiras dado automaticamente ao partido que fica em primeiro lugar daria teoricamente à aliança Nova Democracia-Pasok 162 assentos entre os 300 do Parlamento, o que seria necessário para formar uma coalizão que apoia o resgate de 130 bilhões de euros ao país.

"O resultado mostrou que o povo quer o euro, mas a sociedade continua dividida. O Syriza será um militante da oposição, possivelmente complicando os esforços do novo governo", disse uma autoridade do Nova Democracia, sob condição de anonimato.

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